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Especialistas apresentam evidências que poderiam explicar os famosos fenômenos que assolaram os antigos egípcios.

Mesmo que você não seja religioso, provavelmente já ouviu falar sobre as “Dez Pragas do Egito”, não é mesmo? Essas maldições — descritas no livro de Êxodo e consistindo em águas de sangue, rãs, piolhos, moscas, morte de animais, sarna, granizo, gafanhotos, trevas e morte dos primogênitos — foram lançadas há aproximadamente 3 mil anos sobre os egípcios, depois de o faraó se negar a libertar o povo hebreu da escravidão.

No entanto, será que essas pragas realmente aconteceram? E, se aconteceram mesmo, o que a ciência tem a dizer sobre elas? Existem evidências sobre desastres naturais que ocorreram no Egito e que podem ter servido de base para o surgimento da fábula bíblica, e arqueólogos acreditam que as pragas ocorreram na antiga cidade de Pi-Ramsés, localizada no Delta do Nilo e que serviu de capital do Egito durante o reinado de Ramsés II.

Além disso, mais do que terem sido lançadas pela ira divina, especialistas de diversas áreas acreditam que as pragas podem ser explicadas através de uma cadeia de fenômenos naturais que provocaram uma série de mudanças climatológicas e desastres naturais. Conforme explicaram os cientistas, Pi-Ramsés parece ter sido abandonada há 3 mil anos, e as dez pragas bíblicas poderiam servir de explicação.

Águas de sangue

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipédia

De acordo com os especialistas, depois de analisar estalagmites localizadas em algumas cavernas egípcias, foi possível reconstruir os padrões climatológicos da época através de vestígios de elementos radioativos presentes nas rochas. Esse estudo revelou que ocorreu uma dramática alteração climática nessa região ao final do reinado de Ramsés II, passando de úmido e quente para um período de seca com consequências muito sérias.

O aumento das temperaturas e a falta de chuvas podem ter alterado as características do Nilo, transformando-o em um rio de fluxo mais lento e barrento. Esse ambiente se torna muito propício para a proliferação de alguns microrganismos, e a presença de uma alga — a Oscillatoria rubescens —, que se multiplica rapidamente em águas mais cálidas e pouco movimentadas e que torna as águas vermelhas ao morrer, se encaixa na descrição.

Sapos, insetos e doenças

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipédia

A presença da O. rubescens teria, por sua vez, dado origem à segunda, terceira e quarta pragas, ou seja, à chegada de sapos, piolhos e moscas. A rápida proliferação da alga teria provocado alterações no ciclo de desenvolvimento de girinos, e o fato de que seja tóxica teria forçado essas criaturas a deixar as águas. E, com a morte dos sapos, insetos como moscas e piolhos começariam a se proliferar sem controle, devido à falta de predadores naturais.

A falta de sapos para manter a comunidade de insetos sob controle pode ter levado ao surgimento das próximas pragas: morte de animais e sarna. Como você sabe, alguns desses bichinhos podem transmitir doenças aos humanos, portanto, o próximo passo na cadeia de eventos que assolaram o Egito foi o aparecimento de epidemias que fizeram com que a população adoecesse.

Granizo, gafanhotos e trevas

Fonte da imagem: Reprodução/Israel Tour Guide

Próximo à época das pragas, a erupção do vulcão Thera —uma das maiores da História — resultou na emissão de bilhões de toneladas de cinzas na atmosfera. Essas partículas teriam sido as responsáveis pelas terríveis tempestades de granizo que caíram sobre o Egito, e por anomalias climáticas que teriam resultado em precipitações mais constantes, criando um ambiente propício para a chegada de gafanhotos.

Além disso, a presença de cinzas na atmosfera também pode ter bloqueado a luz do sol, explicando a nona praga, ou seja, os três dias de trevas. Embora não existam vulcões no Egito, pesquisadores encontraram rochas de origem vulcânica durante escavações no país, e análises realizadas nas amostras apontaram que a lava era proveniente do Thera, que ficava localizado a quase 700 quilômetros de distância, no arquipélago de Santorini.

Morte dos primogênitos

Fonte da imagem: Reprodução/Wikipédia

A última praga a cair sobre os egípcios — a morte dos primogênitos — já foi explicada como sendo o resultado de uma intoxicação por um fungo que teria infectado as reservas de grãos. Na época, os filhos mais velhos tinham prioridade sobre os demais na hora de comer, e teriam morrido depois de ter consumido alimentos produzidos com cereais contaminados.

No entanto, outra explicação que circula por aí — já que a bíblia afirma que os primogênitos morreram todos em apenas uma noite — também se baseia na erupção do Thera. Esse evento teria provocado abalos sísmicos que resultaram na liberação de gases tóxicos, formando uma espécie de lençol venenoso que causou a morte das pessoas que estivessem dormindo nos andares mais próximos ao nível do solo, ou seja, os primogênitos.

Fonte: Megacurioso

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