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O cristianismo sempre teve seus oponentes, incluindo muitos que se professam cristãos. Alguns desses inimigos da fé menosprezam a doutrina e louvam a prática, exortando os cristãos a mais e mais ações em vez de aprendizado inútil, especulação e controvérsias doutrinárias causadoras de divisão. Ainda outros depreciam a doutrina e insistem que a santidade consiste em ouvir Deus como ele nos fala através da igreja, dos amigos e de nosso coração.

A estas pessoas, e aos cristãos enganados por elas, um livro inteiro sobre a Trindade deve ser um enigma. Por que alguém leria um livro como esse, sem falar em escrevê-lo? Alimentar os famintos e abrigar os sem-teto não são coisas mais importantes que entender a diferença entre homoousios e homoiousios? Quem afinal liga, pouco que seja, para sabelianismo e arianismo? Esquadrinhar o próprio coração não é mais importante que esquadrinhar um tratado sobre a Trindade?

Infelizmente para essas pessoas, elas estão enganadas, e erros como esse podem lhes custar suas almas. Cristianismo não é ação nem introspecção: é verdade. Cristianismo é doutrina, ensino, teoria, verdade; não é prática, ação ou alvoroço. Sem dúvida certo tipo de comportamento é resultado do cristianismo, mas o comportamento em si não é cristianismo. Confundir as duas coisas é cometer um erro tão sério quanto confundir justificação e santificação, fé e obras. Qualquer um confuso sobre esses pontos corre risco de inferno. Todavia é muito popular hoje em dia em alguns círculos alegadamente cristãos se enfatizar a ação e ignorar a doutrina, como se a ação fosse a coisa importante. Esse ponto de vista é estranho às Escrituras, que ensinam justificação por meio da fé somente e santificação por meio da verdade. O apóstolo Pedro, para citar apenas um exemplo, diz-nos que todas as coisas que pertencem à vida e à piedade vêm por meio do conhecimento de teologia. Todas as coisas. Mas a ênfase de Cristo, de Paulo, de João e de Pedro ― isto é, a ênfase de Deus ― no conhecimento encontra-se totalmente ausente na igreja cristã professante. Sentir e fazer, e não conhecer, têm primeiro lugar na vida da maioria das igrejas e cristãos.

Por vezes não cristãos, e até mesmo anticristãos, entendem o cristianismo melhor do que cristãos, ou pelo menos melhor do que aqueles que se pretendem cristãos, mas não o são. Um desses anticristãos que entendia muito bem a importância da doutrina de Deus viveu cem anos atrás. Ele escreveu:

Quando se abandona a fé cristã, subtrai-se de si mesmo também o direito à moral cristã. Esta não é absolutamente algo evidente em si: precisamos sempre enfatizar esse ponto, apesar dos cabeças-ocas ingleses. O cristianismo é um sistema, uma visão elaborada e total das coisas. Se arrancamos dele um conceito central, a fé em Deus, despedaçamos também o todo: já não temos nada de necessário nas mãos.

O autor dessas palavras é Friedrich Nietzsche, que odiava Cristo e tudo o que ele representava. Mas Nietzsche pelo menos entendia o que Cristo representava. É impossível dizer isso acerca de muitos cristãos hoje. Esperamos que este livro seja usado por Deus para preservar e proteger a sua verdade contra seus inimigos e pretensos amigos.

10 de dezembro de 1984

Autor: John Robbins

Fonte: The Trinity, de Gordon H. Clark. Futuro lançamento da Editora Monergismo.

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto – março/2011

Fonte na internet: http://www.monergismo.com/

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